sábado, 16 de maio de 2015

ROSA

Não ascendo a rosa.
Fico por espinho, crosta, remorso.
Lição do gesto
de quem retira a mão,
gotejando sangue,
 em castigo
de querer possuir
a beleza da flor.

Me sufoca o ser, 
me assusta o querer ser.

O que mais quero ter
é a impossibilidade do ter.

Mia Couto, 2007, idades cidades divindades,
 Lisboa, Caminho

Salvador Dalí, Rosa Meditativa, 1958

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