domingo, 17 de setembro de 2017

O gaio enfeitado com as plumas do pavão
Fábula

Tomou o gaio as penas
Dum pavão, que mudava;
E co'elas se amanhando
E, dando-se por linda personagem,
Foi, entre os mais pavões, pavonear-se.
Ei-lo que é conhecido. - Ei-lo apupado,
Zombado, assobiado,
Chasqueado, escarneado,
E à finca depenado
Pelos Milordes pavões. Busca acolhida
Entre os seus, mas os seus por gaio o engeitam.

Como ele, há de dous pés infindos gaios,
Que amiúde se enfeitam
Com despojos alheios;
Seu nome é Plagiários.
Mas chiton! - Que motivo dar de enojo
Não pretendo a ninguém. Nem também quero
Meter a fouce na seara alheia.

Filinto Elísio

Poeta português
1734-1819

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domingo, 10 de setembro de 2017

ÁRVORE

Ai a fome duma árvore, na cela!
(Verde rapariga de verdes tranças)
Quando eu partir, hei de voar para ela
no voo das aves e das crianças.

E pendurar-me nelas como os frutos
sentindo bicadas na mão!
E bailar-me nela como as folhas
até beijar-lhe o chão...

Luís Veiga Leitão, Sonhar a Terra Livre e Insubmissa...

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sábado, 2 de setembro de 2017

EPIGRAMA
de Bocage

Estando enfermo um poeta
Foi visitá-lo um doutor,
e em rigorosa dieta
logo, logo o mandou pôr.

Regule-se,coma pouco
(diz-lhe omédico eminente).
- Ai senhor! (acode o louco)
Por isso é que estou doente.

Bocage, Obras Poéticas

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