domingo, 24 de maio de 2015

A PRAIA É PORREIRA


   Na praia divertimo-nos à brava. Fiz imensos amigos: o Blaise, o Frutuoso e o Mamert. Este, então, é mesmo parvo! E o Ireneu, o Fabrício e o Cosme, além do Ivo, que não está de férias porque mora na região. Brincamos juntos, zangamo-nos, deixamos de nos falar, e é muitíssimo divertido.
   "Vai brincar com os teus amigos, mas porta-te bem", disse-me o meu pai esta manhã. "Eu vou descansar e apanhar um banho de sol." E começou a espalhar óleo pelo corpo todo e a dizer, no gozo:
   "Ah, só de pensar na malta que ficou lá no escritório!"
   Nós começámos a jogar com a bola do Ireneu. "Vão brincar mais longe", disse o meu pai, que tinha acabado de se besuntar, e zás!, a bola acertou-lhe em cheio na cabeça. O meu pai não gostou nada. Ficou zangado e deu um grande pontapé na bola, que foi cair dentro de água, muito longe. Um xuto do caraças! "Lá isso é verdade", disse o meu pai. O Ireneu foi a correr e voltou com o pai dele, que é muito alto e muito forte e que vinha com cara de poucos amigos.
   - Cá está ele! - disse o Ireneu apontando para o pai.
   - Foi você que atirou a bola do meu filho? - perguntou o pai do Ireneu ao meu pai.
   - Pois fui - respondeu o meu pai. - Mas tinha apanhado com ela na cara.


Sempé e Gosciny, As Férias do Menino Nicolau,
 Teorema 


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