sábado, 31 de março de 2018

À FRAGILIDADE DA VIDA HUMANA

Esse baxel, nas praias derrotado,
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido,
Foi do monte libré, gala do prado.

Esse nácar, em cinzas desatado,
Foi vistoso pavão de Abril florido:
Esse estio, em Vesúvios encendido,
Foi Zéfiro suave, em doce agrado.

Se a nau, o Sol, a rosa, a Primavera,
Estrago, eclipse, cinza, ardor crel
Sentem nos auges de um alento vago,

Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, Primavera, Sol, baxel
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.

Francisco de Vasconcelos

Escritor e bispo portugês

1673 -1743


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quinta-feira, 8 de março de 2018

VASCO DA GAMA

Somos nós que fazemos o destino.
Chegar à Índia ou não
É um íntimo desígnio da vontade.
Os fados a favor
E a desfavor
São argumentos da posteridade.

O próprio génio pode estar ausente
Da façanha.
Basta que nos momentos de terror,
Persistente,
O ânimo enfrente
A fúria de qualquer Adamastor.

O renome é o salário do triunfo.
O que é preciso, pois, é triunfar.
Nunca meia viagem consentida!
Nunca meia medida
Do vinho que nos há de embriagar!

Miguel Torga

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