sábado, 30 de maio de 2015

ENIGMA

Os que a ouvem quando a chuva
bate nos vidros - a chuva mais fria,
a de dezembro, ou a que desce
das montanhas, durante a noite - não
sabem por quem ela chama. Nos seus lábios
de musgo, os nomes confundem-se num
gemido antigo; e os que encostam o ouvido
aos vidros, interrogando o outro lado
da janela, nem assim distinguem
um pouco mais do que é lícito saber,
ao homem, do que se passa na terra.

Nuno Júdice
(n. 1949)

Poeta português

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