segunda-feira, 21 de setembro de 2015

FREI LUÍS DE SOUSA - a biografia do escritor que Garrett faz reviver

   Manuel de Sousa Coutinho nasceu em Santarém cerca de 1555 e morreu em 1632. Cavaleiro da Ordem Militar de Malta, foi aprisionado por piratas e esteve algum tempo cativo em Argel (1576-77).
   Prestou serviços a Filipe II de Espanha, que o recompensaria, em 1592, com uma tença de 200$00; de regresso a Portugal depois de dois anos em Valência, casou, por 1584-1586, com D. Madalena de Vilhena, viúva de D. João de Portugal, desaparecido em Alcácer Quibir. Em 1599, foi nomeado capitão-mor de Almada, com o posto de coronel. Em 1600, sendo Lisboa assolada pela peste, os governadores do Reino quiseram instalar-se em Almada, numa casa de D. Manuel, que, para impedir tal violência, lhe lançou fogo. Na origem deste episódio estão questões pessoais, que não hostilidade ao Rei castelhano. Em 1613, quando já lhes falecera uma filha única, D. Manuel e D. Madalena resolveram seguir o exemplo recente dos Condes de Vimioso, professando ambos, ele no convento de S. Domingos de Benfica, ela no convento,  dominicano também, do Sacramento. O primeiro biógrafo de Frei Luís de Sousa, Frei António da Encarnação, entre várias opiniões que corriam sobre aquele insólito facto, elegeu a seguinte e pouco verosímil versão: um peregrino trouxera a nova inesperada de que D. João de Portugal, desaparecido trinta e cinco anos atrás, vivia ainda na Terra Santa; assim a vida em comum de D. Manuel e de D. Madalena tornara-se impossível. Esta versão constitui o ponto de partida do Frei Luís de Sousa de Garrett.

Jacinto do Prado Coelho, Dicionário de Literatura,
 Livraria Figueirinhos

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