DESTINO
Quem disse à estrela o
caminho
Que ela há-de seguir no
céu?
A fabricar o seu ninho
Como é que a ave
aprendeu?
Quem diz à planta
«Floresce!»
E ao mudo verme que tece
Sua mortalha de seda
Os fios quem lhos enreda?
Ensinou alguém à abelha
Que no prado anda a
zumbir
Se à flor branca ou à
vermelha
O seu mel há-de ir pedir?
Que eras tu meu ser,
querida,
Teus olhos a minha vida,
Teu amor todo o meu
bem...
Ai!, não mo disse
ninguém.
Como a abelha corre ao
prado,
Como no céu gira a estrela,
Como a todo o ente o seu
fado
Por instinto se revela,
Eu no teu seio divino .
Vim cumprir o meu
destino...
Vim, que em ti só sei
viver,
Só por ti posso morrer.
Almeida Garrett, in Folhas
Caídas

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