domingo, 16 de agosto de 2015

ÍCARO

Em teu ventre arredonda-se um aquário,
onde um pequeno peixe se exercita
a transformar-se em ave, assim que a vida
lhe permita o destino solitário.

Por seus futuros voos de isolado
desde já nos sentimos intranquilos...
E desde já quiseras preveni-lo
das nuvens de que o céu anda riscado.

Ó Ícaro esboçado!, quem soubesse,
em vez deste saber de coisas vagas,
com que cera devera unir-te as asas
- para que nenhum Sol as desfizesse!

David Mourão-Ferreira, Canto II

Marc Chagall, A Queda de Ícaro,

Sem comentários:

Enviar um comentário