quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A ERA DOS DESCOBRIMENTOS

   A Europa medieval era um pequeno universo fechado sobre si mesmo. Os grandes empreendimentos expansionistas dos séculos XV e XVI alargaram os horizontes até então conhecidos pelos Europeus. Portugal e Espanha foram os grandes protagonistas deste processo.
   Na Idade Média, o Mundo era como uma constelação de pequenos universos fechados sobre si mesmos e que se ignoravam entre si. Cada civilização estava separada das demais por grandes áreas desabitadas ou pouco povoadas. A Europa ignorava quase toda a África para lá do Sara, a China e a Índia, e nem sequer sabia da existência da América.
   No século X, os Viquingues tinham percorrido o Atlântico Norte e, após descobrirem a Gronelândia, chegaram às costas mais setentrionais do continente americano, às quais chamaram Vinland. Contudo, estas expedições não tiveram continuidade acabando por ser esquecidas. Posteriormente, as cruzadas e as viagens de grandes mercadores, como Marco Polo, permitiram contactar primeiro com o mundo islâmico e, em seguida, através deste, com o Próximo Oriente e com a África Negra.
   Na época medieval, o comércio da Europa com o Próximo Oriente tinham alcançado um certo desenvolvimento. Através da Rota da Seda, traziam-se da Ásia artigos de luxo, como as especiarias, os perfumes, as sedas, as pedras preciosas e o marfim. As rotas eram longas e inseguras, mas as conquistas dos cruzados nas terras do Médio Oriente asseguravam o tráfico comercial. Não obstante, a situação agravou-se a partir de 1453, quando os Turcos Otomanos conquistaram a cidade de Constantinopla e cortaram o caminho terrestre que unia a Europa à Ásia. Por isso, os Europeus tentaram encontrar novas rotas que lhes permitissem alcançar o Próximo Oriente por mar.
   No século XV, conseguiram-se vários avanços tecnológicos que tornaram possível navegar ao longo da costa. O uso da bússola, já muito antigo, generalizou-se a partir do século XIII e contribuiu para fixar com exatidão os rumos. O astrolábio ajudou a determinar com precisão a latitude, medindo a altura dos astros sobre o horizonte. Para isso também se empregava o quadrante. Por outro lado, incorporaram-se nos barcos o leme móvel e a âncora de braços separados. Os Portugueses inventaram a caravela, que combinava as velas quadradas para obter uma maior velocidade e as velas triangulares para conseguir uma maior facilidade de manobra. Como não utilizava remadores, o porão dispunha de muito espaço para armazenar mercadorias. Estes navios permitiam a navegação em qualquer época do ano e eram capazes de resistir às tempestades e aos ataques de piratas, já que estavam equipados com canhões.
   Os avanços da cartografia facilitaram a exploração marítima. [...] Nos finais do século XIII, surgiram os mapas portulanos, que alcançaram o rigor máximo no século XV. Eram mapas em que se uniam os portos mediante linhas traçadas em forma de estrela. Estas linhas eram de cores distintas para marcar os diferentes ventos. Dado que a sua função era representar a costa, não se desenhavam neles pormenores do interior dos continentes, salvo aqueles que pudessem servir de guia para os navegadores, como os rios, as montanhas e a localização das cidades. Alguns portulanos converteram-se em autênticas obras de arte.

História Universal, Enciclopédia do Estudante,
 Santillana-Constância

Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa

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