segunda-feira, 27 de abril de 2015

SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter mil desejos o esplendor
É não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca, Charneca em Flor



FLORBELA ESPANCA (1894-1930)

Nasceu em Vila Viçosa, e foi uma das primeiras mulheres a frequentar o curso de Direito em Lisboa. De temperamento inquieto, teve uma vida sentimental intensa e acabou por se suicidar, em Matosinhos, aos 36 anos. Dedicou-se sobretudo ao soneto, destacando-se, na sua obra, O Livro de Mágoas, Soror Saudade e Charneca em Flor.


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