PENÉLOPE
Mais do que sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.
E recompões com essa veste,
que eu, sem saber tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido,
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.
Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.
David Mourão-Ferreira, Obra Poética
| O Beijo, Gustav Klimt (1907) |
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