terça-feira, 21 de abril de 2015

PENÉLOPE

Mais do que sonho: comoção!
Sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido,
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço os melhores dias
do nosso amor.

David Mourão-Ferreira, Obra Poética


O Beijo, Gustav Klimt (1907)

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