quinta-feira, 9 de julho de 2015

ROMEU & JULIETA

Romeu

Senhora, juro por aquela Lua abençoada
Que põe cumes de prata nestas árvores  de fruto...

Julieta

Oh! Não jures pela Lua, a inconstante Lua
Que todos os meses muda no seu orbe circular,
Não vá o teu amor ser de igual modo volúvel.

Romeu

Por que devo jurar?

Julieta

Não jures por coisa nenhuma;
Ou, se quiseres, jura pelo teu gracioso ser,
Que é o deus da minha idolatria,
E eu acreditar-te-ei.

Romeu

Se o profundo amor do meu coração...

Julieta

Pois bem, não jures; embora sejas o meu enlevo,
Não sinto enlevo no pacto desta noite,
É por de mais precipitado, irrefletido, súbito,
Por de mais semelhante ao relâmpago que deixa de ser
Antes que possa dizer-se: brilha! Doce amor boa noite!
Este botão de amor, sazonado pelo hálito do Estio,
Poderá ser uma bela flor quando nos virmos de novo,
Boa noite, boa noite! Que um doce repouso e calma
Entrem em teu coração, como os que tenho em meu peito.

Romeu

Oh! Vais deixar-me tão insatisfeito?

Julieta

Que satisfação podes ter esta noite?

Romeu

A troca pelo meu do teu fiel voto de amor.

William Shakespeare, Romeu e Julieta,
 Editorial Presença




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