PALAVRAS
De palavras me vesti
no agasalho do nada.
Palavras foram o vinho
de uma sede inventada.
E agora que as desfolho,
que me resta?
A memória de uma sede
que ao beber cresta.
Em palavras me enleei
numa selva gorda e quente.
E agora que as descarno,
que me fica?
A memória de uma vida
que a viver mente.
Pois deito as palavras fora,
recuso-lhes o mel e o cheiro.
É acre o tutano
mas verdadeiro.
Fernando Namora, Marketing, Bertrand

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