segunda-feira, 29 de junho de 2015

PAIXÃO

Sempre
me dei aos teus braços
como um pássaro aprisionado.
O meu olhar
cintilava ao fremir das asas
do teu voo
e juntos voávamos mais.
Rasguem-me as penas
sadicamente uma por uma
e mesmo assim verão
que belo pássaro aprisionado
incansável esvoaça contigo
doido no amarelo da esperança
à nudez de cada manhã.

José Craveirinha, Poemas da Prisão,
 Texto Editora

Otto Mueller, Amantes

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