PAIXÃO
Sempre
me dei aos teus braços
como um pássaro aprisionado.
O meu olhar
cintilava ao fremir das asas
do teu voo
e juntos voávamos mais.
Rasguem-me as penas
sadicamente uma por uma
e mesmo assim verão
que belo pássaro aprisionado
incansável esvoaça contigo
doido no amarelo da esperança
à nudez de cada manhã.
José Craveirinha, Poemas da Prisão,
Texto Editora
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| Otto Mueller, Amantes |

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