A VIDA
A vida
órfã de sempre
dá-me em cada verso
uma veia esticada em mim
a retinir poesia.
Deus deu-me
esta arte mínima
de confessar as coisas
dizendo tudo a fingir.
E desta dádiva me sirvo
polígamo de nostalgia.
José Craveirinha, Poemas da Prisão,
Texto Editora
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