segunda-feira, 12 de outubro de 2015

POÉTICO

Chega uma hora em que a poesia
não basta em si,
chega uma hora em que a posia
não basta em ti.
Chega uma hora em que a poesia
não basta em mim.
Chega uma hora em que a poesia
não basta.
Chega uma hora em que a poesia
não basta em nada.
Chega uma hora em que a poesia
não basta.
Não basta porque a poesia
não basta.
Como se desnecessária
chega uma hora em que a poesia
não basta em.
Não basta aquém,
não basta além.
Chega uma hora em que a poesia
não é.
Não é poesia,
se assim fosse, seria.
Chega uma hora em que a poesia
não basta, não chega.
Chega uma hora em que a poesia
se mata em si,
dentro dela,
no próprio avesso,
no cofre de sua palavra
o que não se alcança.
Chega uma hora em que a poesia
não dá.
Chega uma hora em que a poesia
não.

Álvaro Alves de Faria, Antologia de Poesia Contemporânea Brasileira,
Coimbra, Alma Azul

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