sábado, 24 de outubro de 2015

AR DE INVERNO

Aves do mar que em ronda lenta
giram no ar, à ventania,
gritam na tarde macilenta
a sua bárbara alegria.

Incha lá fora a vaga escura,
uiva o nordeste aflitamente.
Que mágoa anónima satura
este ar de Inverno, este ar doente?

Alma que vogas a gemer
na tarde anémica, de vento,
como se infiltra no meu ser
o teu esparso sofrimento!

Que viuvez desamparada
chora no ar, no vento frio,
por esta tarde macerada
em que a esp'rança se esvaiu!...

Roberto de Mesquita, Almas Cativas





1 comentário:

  1. Gostei do seu blogue.
    É variado e tem escolhas muito interessantes.
    Parabéns pelo bom gosto dessas escolhas.
    Arminda, tenha um bom resto de semana.
    Um abraço.

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