INTRÓITO
Das tuas mãos de vidro, carregadas
De joias tilintantes e doentes,
Das palavras que trazes afogadas,
Das coisas que não dizes mas entendes.
Do teu olhar virado às madrugadas
De fantásticos e exóticos orientes,
Do teu andar de tule, das estocadas
Dos gestos que não fazes mas que sentes.
Dos teus dedos sinistros, de tão brancos,
Dos teus cabelos lisos, de tão brandos,
Dos teus lábios azuis, de tanta cor,
É que vem a fúria de bater-te,
É que me vem a raiva de morder-te,
Meu amor! Meu amor! Meu amor!
José Carlos Ary dos Santos
Poeta português
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