segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

UMA ROSA

Abrem-se ainda tardes como lagos
pálidos sobre os tetos d'ouro,
leve tremendo na quieta luz
a ânsia derramada das árvores.
E não há mais memória ou pranto: só
um mover d'olhos no coração que acorda
do seu sonho de pedra e te revê,
claro fulgor de vida, maravilha
revelada e secreta da vida
que vive. E o céu é céu.
Uma rosa se abriu em qualquer ponto
do mundo e inebria todo o ar
do ocaso que se expande sobre o mundo.

Diego Valeri

1887-1976

Poeta italiano

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